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ARTIGOS
de
ANDRÉ LUIZ PEIXINHO
Nossos filhos são Espíritos
DESAFIOS CRISTÃOS - I
DESAFIOS CRISTÃOS - II
DESAFIOS CRISTÃOES -III
A FENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO
A moral evangélica e o Espiritismo – Parte I
A moral evangélica e o Espiritismo – Parte II
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..Cara amiga, caro amigo,
Diz-nos Bezerra de Menezes que “estamos convocados a cerrar esforços continuados no programa renovador de nosso abençoado movimento espírita, com vistas a ampliar na humanidade a mensagem de esperança e libertação trazida por Jesus e explicada com lucidez pelo trabalho de Allan Kardec.”
O Movimento Espírita precisa de você. A tarefa é árdua, principalmente se considerarmos a extensão territorial de nosso estado com seus 417 municípios. Estamos te convocando a ajudar-nos a vencer os desafios que ora se nos apresentam. Considerando os custos de manutenção de nossa sede central estamos iniciando a campanha dos 100. Cuja meta é termos 100 associados ou colaboradores com contribuições de R$ 100,00.
Gostaria que você avaliasse a possibilidade de participar desta campanha ou na impossibilidade buscasse parceiros capazes de fazê-los de modo a atingirmos nossa meta. A proposta é o compromisso de contribuição inicial por 12 meses.
Os interessados devem entrar em contato pelo fone 3351.3320 ou e-mail feeb@veloxmail.com.br
Fraternalmente,
Luciano Crispim de Jesus
Financeiro
(*) A sua contribuição poderá ser depositada na CC 1242-4 da Agência 1242-4 do Banco do Brasil em nome de Federação Espírita do Estado da Bahia ou outra forma que preferir. |
FILME
NOSSO LAR
Estreia em setembro
Veja site
IMPORTANTE INFORMAÇÃO AOS ESPÍRITAS.
IMPORTANTE DE FATO!
Como não há uma folha que caia sem que Deus atue, o filme Nosso Lar não é um produto apenas de espíritas encarnados - que foram importantes instrumentos - mas sim, e principalmente um desejo da vontade divina, fato facilmente comprovado pela maravilhosa informação do texto abaixo.
Divulgar a informação abaixo é um grande bem que todos nós poderemos fazer.
Fraterno abraço,
Alkíndar de Oliveira
Assunto: Nosso Lar- o Filme
Caros amigos,
O filme Nosso Lar está pronto.E ficou lindo! Uma super produção brasileira, ótimo elenco, música de tocar o coração e efeitos especiais como jamais visto em nosso cinema nacional... a gente percebe as mãos do Alto direcionando os acontecimentos: o filme do Chico, a novela das 18h e agora o filme!
Em reunião mediúnica dia 06 de agosto, onde trabalha o produtor executivo do filme , a Espiritualidade presente revelou que falanges se preparam para descer à Terra e atuar durante cada sessão em que o filme passar : cidades espirituais serão esvaziadas, tratamentos espirituais serão realizados, desligamentos de processos obsessivos ocorrerão...tudo isso marcando uma Nova Era que se inicia nesse planeta abençoado...
E AGORA PRECISAMOS DE VOCÊS!
Pois a bilheteria do final de semana de estreía do filme determinará quanto tempo ele ficará em cartaz e aguçará os olhos dos distribuidores internacionais. Para que esse filme cumpra com o seu papel torna-se necessário que cada um de nós colabore, indo ao cinema, divulgando o filme para amigos, levando amigos...
É chegada a hora! Vamos ajudar?
Fraterno abraço,
Danielle
(Assessora do produtor do filme NOSSO LAR (Luiz Augusto Queiroz)).
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(Segundo o site oficial do filme "Chico Xavier" mais de 3.000,000 pessoas assistiram o filme até o dia 12/05/2010 e o site já foi visitado por quase 500.000 internautas )
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AGUADE
os eventos federativos de 2010
no Link
"Agenda Federativa"
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Já está sendo filmado "Nosso Lar", pela Fox Filmes, o roteiro é baseado na obra mediúnica de André Luiz psicografado por Chico Xavier, com Renato Prieto representando André Luiz.
Um filme que com certeza, marcará o cenário cinematográfico brasileiro e trará maior compreensão da fé espírita, estará em cartaz em 2010. (...)
Veja mais no site: http://valintim. blogspot. com/2009/ 08/nosso- lar-o-filme. html |
O acontecimento espírita do ano.

O dia 17 de junho de 2009 entrou para a história do Espiritismo. Após três anos fazendo televisão espírita pela internet, a TVCEI inicia as suas transmissões via satélite para todo o Brasil e América do Sul pelo sistema digital, com uma programação variada e uma linguagem moderna e dinâmica.
Essa é mais uma conquista do Conselho Espírita Internacional, do movimento espírita, e principalmente da Doutrina Espírita que ganha finalmente o seu canal de TV.
O sinal da TVCEI é aberto, via satélite e captado através de antena parabólica.
Segundo a TVCEI "trouxemos todo o potencial que a tecnologia nos oferece em prol da divulgação do Espiritismo".

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DVD - Filme sobre Bezerra
"Bezerra de Menezes, O Diário de um Espírito".
Já encontra-se disponível para vendas o DVD do filme Bezerra de Menezes - O Diário de um Espírito, que retrata a vida do cearense, médico, ecologista, humanista, político HONESTO e unificador da doutrina espírita no Brasil,
Adolpho Bezerra de Menezes.
O DVD contém vários extras (Making of, comentários dos diretores, depoimento de Lúcio Mauro sobre Bezerra de Menezes, etc..), legendas em português, inglês e espanhol e som Dolby Digital 5.1.
Uma bela mensagem de paz e serenidade daquele que há pouco tempo atrás era o anônimo mais famoso e admirado do Brasil!
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A moral evangélica e o Espiritismo – Parte I
Quando o Espiritismo surgiu em termos de codificação, em Paris, não existia inicialmente um vínculo substancial com os movimentos religiosos cristãos. O saber espírita alicerçava-se mais fortemente na investigação científica, através da fenomenologia mediúnica e na análise dos ensinos dos espíritos de caráter filosófico e por isso, guardava um certo distanciamento das igrejas e de seus modos de organização. Desde o princípio, porém, ele se ocupou de traçar uma filosofia prática com conseqüências morais e religiosas. Assim é que toda a terceira parte do Livro dos Espíritos é dedicada a temas desta natureza e nela se encontra a afirmação de que Jesus é o modelo de perfeição para a humanidade. Assim se estabelece a ligação inicial com o Evangelho.
Os desdobramentos do pensamento espírita mostraram que os ensinos sobre a moral cristã original são uma revelação preciosa sobre os ideais mais elevados que ainda não puderam ser alcançados por falta de discernimento e maturidade espiritual. Neste contexto, Allan Kardec e os espíritos que participavam desta missão entenderam ser necessário explicitar a essência destes ensinos, comentando-os em linguagem moderna para dar prosseguimento ao progresso moral da humanidade. Com este foco, foi lançado o Evangelho segundo o Espiritismo, texto que se ocupa das lições do Cristo referentes a regras de conduta e desenvolvimento espiritual. Assim entende-se porque o Espiritismo é considerado às vezes como terceira revelação, considerando-se que a civilização ocidental é de origem judaico-cristã. Da mesma forma se explica o empenho do movimento espírita em divulgar o Evangelho como o manual de comportamento do espírito encarnado por excelência, e afirmar que se propõe a restaura suas práticas e objetivos originais, fundamentando-o em experimentos científicos e análises filosóficas.
Mas qual é a essência da moral do Cristo na seleção de ensinos efetuada por Allan Kardec?
Como introdução, a escolha recai sobre o ensino “não vim destruir a lei” entendida como a lei de Deus que conhece várias manifestações, conforme o desenvolvimento dos povos. Nossa referência primordial é a revelação do monte Sinai com a recepção por Moisés do famoso Dez Mandamentos. As regras de convivência, construídas pelo legislador Moisés e seus sucessores, foram reformuladas para sinalizarem a evolução. A lei de Deus e os ensinos dos profetas foram reduzidos a uma única prescrição: “Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.
Jesus ensinou, porém, muitas coisas que ficaram veladas, pois à época só poderia lançar sementes de verdade para brotarem em tempos mais evoluídos. Estes germens de conhecimento encontram no Espiritismo o terreno adequado para crescerem e produzirem seus frutos. Assim é seu papel dar cumprimento à lei cristã. Não precisa alterar os seus fundamentos; basta desenvolver, completar e explicar o que foi dito de forma alegórica ou sintética. Em sua constituição, ele possui a força dos fatos científicos e a energia das análises filosóficas para subsidiar os ensinos evangélicos e suas conseqüências morais e religiosas.
O cumprimento da lei moral cristã, instruem os espíritos, renovará as relações humanas, aproximando os homens, tornando-os irmãos; fará desabrochar em todos os corações o sentimento de caridade e estabelecerá entre os homens uma profunda solidariedade. A Terra será então o habitat natural de espíritos superiores.
Um segundo ensinamento selecionado é a expressão saída dos lábios do Cristo, quando ameaçado por Pilatos: meu reino não é deste mundo. Os esclarecimentos espíritas mostram como a humanidade estava ainda ignorante da vida do espírito ou vida futura. Ainda pensavam que a observância da lei de Deus, usualmente praticada por atitudes exteriores era recompensada com bens terrenos ou pela supremacia de sua nação com vitórias sobre outros povos. Seu horizonte espiritual era restrito e incerto posto que suscitado por palavras proféticas. Neste ponto, o Espiritismo veio completar os ensinos evangélicos e a vida espiritual, um simples artigo de fé no passado, torna-se uma experiência embasada em pesquisas e passível de ser popularizada, desde que se respeitem as normas de comunicação interexistencial.
A mudança de enfoque sobre a vida material, tendo agora como marco a vida futura, esclarece o Codificador, faz da existência no mundo corporal uma simples passagem, “breve estada num país ingrato”. As tribulações dessa vida não passam de incidentes que o viajor deve suportar com paciência, pois as reconhecem como de curta duração e prenúncio de um estado mais feliz. A morte perde a característica de portal que se abre para o nada, para ser entrada numa mansão de bem-aventurança para os que cumprem a lei de Deus. O “exilado’’na terra presta menos atenção às vicissitudes da existência, daí resultando uma calma que diminui o amargor da vida e o caráter aterrador da morte.
O foco na vida espiritual permitirá que as perdas durante a vida física sejam assimiladas sem grandes sofrimentos, ao contrário do que ocorre com o homem que só conhece a vida terrestre. Este, por causa desta limitação, inflige a si próprio verdadeira tortura, pois que se atormenta com os enganos, as decepções, as ambições insatisfeitas, as injustiças de que é vítima no mundo, o orgulho e a vaidade feridos.
Quem se reconhece partilhando a vida do espírito reduz significativamente a importância dada aos fatos terrenos, em especial, à conquista de bens materiais ou simbólicos. Isto, porém, não quer dizer abandono das coisas do mundo, pois seria uma negação da lei do progresso vigente no universo. O trabalho e seus resultados são uma obrigação moral, uma fonte de prazer e uma forma de satisfazer as necessidades. Mas não se pode realizá-lo e usufruir dos prazeres em detrimento da vida espiritual. Eis aí a verdadeira sabedoria.
André Luiz Peixinho – Fundador da Sociedade Hólon/Diretor Presidente da FEEB
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A moral evangélica e o Espiritismo - 2
Há muitas moradas na casa do meu Pai... eu me vou para vos preparar o lugar, ensinou Jesus aos seus discípulos.
Como poderemos entender tal mensagem?
Os espíritos esclarecem que a humanidade terrestre faz parte de uma mais vasta comunidade de seres em evolução, tanto encarnados como desencarnados. A casa do Pai é o Cosmos que inclui o universo físico e o mundo espiritual denominado por Allan Kardec como erraticidade. As diferentes moradas referem-se, por um lado, aos mundos que compõem o espaço sideral e também aos planos espirituais onde se aninham os espíritos após o desenlace corporal.
Os mundos físicos variam bastante em termos de adiantamento dos seus habitantes. Quanto mais primitivo é o mundo, maior a predominância das leis da matéria; reinam soberanas as paixões e o senso moral é incipiente. À medida que o psiquismo se desenvolve, aparece a noção de bem e mal, os valores morais, a liberdade de escolha.
Numa hierarquia evolucionista, afirma Allan Kardec, os mundos podem ser primitivos, abrigando seres com lampejos iniciais de consciência do eu; mundos de provas e expiações, onde predominam as lutas de transformação e a progressiva supremacia do bem sobre o mal; mundos de regeneração, onde as almas, revisam suas necessidades e haurem forças para prosseguirem na sua ascensão; mundos ditosos, onde o mal foi confinado pela absoluta hegemonia do bem; mundos celestes ou divinos, onde se encontram os espíritos purificados prontos para tocarem a obra de Deus no Cosmos.
É importante lembrar que as condições de vida variam ao infinito. Não se pode imaginar o ser humano e sua somaticidade como padrão cósmico. Nossos sentidos físicos limitam a percepção de outras maneiras de existir. Daí se pode depreender que encontrar civilizações em tudo similares à nossa é uma tarefa árdua.
Nos mundos superiores, o corpo não tem a materialidade terrestre e os sentidos não são tão restritos. A vontade é o veículo na superação de distâncias. A pouca resistência que a matéria oferece ao espírito adiantado favorece o seu rápido desenvolvimento no ciclo reencarnatório, encurtando os períodos infantis. A emancipação da alma é fenômeno corriqueiro e a lucidez que ela goza lhe permite partilhar experiências interexistenciais continuamente. A morte a ninguém assusta, pois o contato permanente com outras dimensões espirituais elimina os medos.
No nosso mundo, precisamos ainda dos contrastes para termos discernimento. A presença do mal ainda é necessária para compreendermos o bem, assim como a escuridão nos faz admirar a luz e a doença nos faz apreciar a saúde. Nos mundos ditosos, esta antinomia desaparece, pois vigora a eterna beleza, a perene alegria, a plena luz. Não há espaço para as angústias da vida material. Como não é dado ao homem conhecer o deleite existente neste estágio de realização do espírito, ele mal o concebe e o faz parecendo que a vida assim é monótona.
A Terra é uma morada enquadrada na categoria de mundo de provas e expiações. Nela há um desenvolvimento da inteligência que a afasta dos mundos primitivos. Mas os numerosos vícios que seus habitantes alimentam constituem indicadores do grau de imperfeição moral.
Daí decorre a grande quantidade de atos destrutivos ou maldosos, a árdua luta pela sobrevivência, os grandes eventos de destruição e morte e a presença de muitas enfermidades dolorosas. Mas isto não quer dizer que toda a população está no mesmo estágio espiritual. Entre nós encontram-se espíritos degredados de outras paragens mais evoluídas que não acompanharam o seu progresso, espíritos que voluntariamente encarnaram para acelerar o progresso de nossa civilização, e uma grande maioria de seres que já não se comprazem em praticar o mal, mas ainda não sedimentaram a experiência do bem em seus currículos evolutivos.
Da mesma maneira que os mundos físicos podem ser percebidos através de uma escala evolutiva, o mundo espiritual também pode assim ser analisado. Após o decesso físico, o espírito persiste com o seu invólucro semimaterial – o perispírito – cujas características dependem fundamentalmente do estágio de consciência. A tradição espiritual nos alerta para a relevância dos momentos que antecedem a morte, como síntese da vida corporal, pois eles sinalizam com que região espiritual estamos em sintonia. A literatura é rica em descrições sobre as zonas mais próximas por uma questão de afinidade, e detalha o modus vivendi de muitas zonas de sofrimento e recuperação. Menos freqüentemente e com menos brilho, consegue trazer informações sobre a vida no mundo espiritual mais elevado, pela raridade das experiências e pobreza da nossa linguagem. O inferno nos é muito mais familiar do que o paraíso.
A permanência em qualquer mundo ou região espiritual é um fenômeno da consciência em mutação evolutiva e, portanto, da qualidade espiritual de nossas vidas depende a nossa moradia.
O mestre do evangelho prometeu aos seus discípulos e, por extensão aos seguidores de todos os tempos, que se afastaria temporariamente do convívio próximo nas condições humanas para preparar um lugar e retornaria para recomeçar uma experiência permanente de convivência. Esta volta em nosso tempo pode ser entendida como uma aproximação espiritual decorrente das grandes mudanças evolutivas que se operam progressivamente no seio da humanidade. Do nosso empenho em vivermos cada vez mais intensamente as lições da moral evangélica depende este reencontro.
André Luiz Peixinho – Sociedade Hólon |
A Fenomenologia do Espírito – Parte I
Pelos registros históricos, identificamos que a noção de espírito remonta aos primórdios da civilização.
Ainda que de forma precária em termos de consciência, os primeiros habitantes humanos deixaram algumas marcas das suas experiências relativas à dimensão do ser espiritual.
Constatou-se que povos até recentemente com comportamentos à margem da nossa civilização adotavam práticas de contatos com os mortos e lidavam com ectoplasmias ou materializações, conforme relatos de alguns estudiosos.
Apesar da ancestralidade das idéias sobre o espírito, a sociedade contemporânea está hegemonicamente organizada para viver a realidade sensorial centrada na experiência da matéria e delimitada pelos fenômenos de gestação e morte.
Assim são pensadas e organizadas as instituições sociais, concebidas as normas e sanções sociais, definidos o sucesso e o fracasso dos indivíduos. Mesmo as religiões, embora apregoem uma outra realidade bem espiritual, traduzem-na com palavras materializantes, quando não se desviam do seu foco e pretendem a salvação do homem na vida física através do sucesso material, como prova da recompensa à fidelidade a Deus.
Como toda construção do mundo segundo o pensamento espiritual é um fenômeno decorrente do estágio de consciência expresso na existência, é fácil entender quão restrito estamos no entendimento sobre o que somos enquanto espíritos, e na expressão do mesmo na ordem existencial.
Por outro lado, a concepção evolucionista da manifestação do ser nos permite reconhecer na experiência humana continentes inexplorados de expressão do espírito, restritos a algumas pessoas e comunidades, que conseguem extrapolar a limitada percepção sensorial. E por termos condições de identificá-los como significativamente diferentes da maneira de existir da maioria, chamamos, genericamente, de paranormais.
São portadores de faculdades anímicas, mediúnicas, ultrafânicas e místicas, conforme uma classificação prática simplificada.
Quando agem animicamente por habilidade própria, podem exercer a precognição, a retrocognição, a psicocinésia, a clarividência e a clariaudiência , a experiência fora do corpo, a telecinesia, a percepção telepática, a radiestesia, a autoscopia e a aloscopia, fenômenos de quebra conceitual da noção de tempo linear, de espaço visível aos cinco sentidos e de matéria limitadora de percepções.
Quando vivenciam experiências mediúnicas, podem contatar consciências extrafísicas e perceber dimensões insuspeitadas pela consciência normal, traduzindo para a linguagem cerebral humana os eventos que podem identificar. Descrevem o mundo espiritual, muito mais vasto e complexo que o mundo físico, variando desde ambientes similares ao terrestre, até ao inconcebível humano.
Tais consciências espirituais, interagindo com o mundo físico, podem trazem novos conhecimentos, proporcionar revelações identificadoras de uma prévia vivência terrestre, trazer informações sobre os processos da vida e da morte, interferindo no seu dinamismo e em alguns desfechos, realizar fenômenos materiais fisicamente construtivos e destrutivos e promover melhorias e até mesmo curas. Por seus métodos e práticas, demonstram claramente o caráter restrito da visão materialista e dos seus domínios. Desvendam, assim, novos céus e novas terras como dizem alguns, simbolicamente.
Os ultrafânicos, muito raros, possuem a habilidade de penetrar nos fenômenos cósmicos e perceber a sua dinâmica entrando em contato direto, e, portanto, sem intermediação do pensamento lógico, com os princípios ou leis que regem tais fenômenos.
Na maioria dos relatos experienciais, percebe-se a unidade do cosmos e a diversidade das manifestações que se organizam em nossa linguagem como matéria, energia e espírito.
Ao se tornarem conscientes de tais princípios, passam a viver, mesmo em vigília, de forma tal que percebem, além dos acontecimentos, o fio condutor que os faz encadeados dentro de um sistema previsível de compreensão dos seus desfechos.
Os místicos, seres que conhecem por experiência novos estados de consciência, também exploram aspectos do universo imaterial, principalmente aqueles referentes ao sentido de totalidade, a integração com Deus e a superação das fragmentações que estão condicionadas pelo mundo corporal. Progressivamente, permitem-se estar no mundo social com uma consciência dos eventos centrada nesta interioridade totalizante, que chamamos em nossa cultura, psicológica de Self ou eu profundo.
Todos eles de alguma forma contribuem para revelar o enorme potencial ainda desconhecido, que através da evolução, tanto do indivíduo, como da sociedade, poderão se generalizar, mudando radicalmente a compreensão sobre a nossa natureza essencial e os fenômenos do nascimento e da morte.
Consideramos a educação e desenvolvimento destas faculdades um passo fundamental para o progresso humano e cremos que seus resultados provocarão a mais audaciosa revolução que a vida pode realizar desde que deixou o estágio pré-humano e constituiu a civilização, utilizando-se dos sentidos e do pensamento lógico.
André Luiz Peixinho |
............................................................. Desafios cristãos- I
No período do ano em que a civilização cristã celebra o nascimento de Jesus, é natural que evoquemos com mais intensidade a presença do seu inspirador e reflitamos sobre a aprendizagem alcançada e assimilada sob a forma de costumes, relações humanas e vivências pessoais e institucionais. Afinal de contas, efemérides funcionam como símbolos que mostram o visível e nos fazem penetrar um mundo dantes incógnito e revelado além das palavras.
Ao nos confrontarmos com os ensinos do Cristo, somos convidados a vencer inúmeros desafios, pois que suas lições como ideais muito superiores à consciência coletiva desenvolvida antecipam no tempo histórico e nas vivências subjetivas o nosso vir-a-ser evolutivo.
O primeiro grande desafio é o da integração com o outro, respaldada na percepção de uma unidade fundamental entre todos os seres, afirmada na oração ensinada por Jesus, que assegura uma paternidade única para todos nós.
Ele reaparece nos exemplos de cuidados com desconhecidos, como o homem vítima de assalto na parábola do bom samaritano, na cura de leprosos e paralíticos, no acolhimento dispensado à mulher adúltera, ao publicano e ao doutor da lei.
Também se confirma nas lições de sabedoria do perdão, da reconciliação com o adversário antes da oferenda ao templo, de amor ao próximo com inclusão dos inimigos.
E se converte em referência preciosa, quando recomenda oferecer a túnica a quem lhe pede a capa, andar duas milhas com quem solicita companhia durante a caminhada de uma milha, dar de beber a quem tem sede e de comer ao faminto.
Em palavras-síntese, não há bem-aventurança sem participação solidária. Ela envolve a beneficência tradicional, mas a transcende pela benevolência mais ampla, pois contempla os aspectos afetivos e espirituais da convivência.
Trata-se, portanto, de um movimento de descentração, de superação do estágio egóico, de deslocamento em direção ao altruísmo, de inclusividade, de alteridade, de percepção positiva das diferenças, de gestão competente das diversidades e de aceitação da existência de graus evolutivos nas manifestações humanas.
Também é um movimento de busca de pertencimento, de se sentir parte/todo na grande cadeia evolutiva dos organismos, de construção de teias relacionais, de união e sinergia.
Ora, só é possível vencer este desafio fundamental no processo de busca da plenitude, se expandirmos a nossa consciência principalmente nos seus aspectos afetivos.
O amor universal, nossa meta na ordem dos sentimentos, não é uma referência meramente poética, ou uma digressão de filósofos românticos. É a expressão mais plena da nossa natureza intrínseca, reflexo natural da nossa origem divina.
A consciência em expansão transcende as formas que a aprisionam em um momento evolutivo. Assim, o egoísmo é superado pelo altruísmo, a dominação e a submissão pela partilha e pela entrega, a ânsia de ser amado pela fruição do deleite de amar, as exigências pela incondicionalidade, o desejo de ter e o medo de perder pela libertação
da escravidão da posse.
E quanto mais próximo da plenitude, o outro é amado na sua singularidade e na sua coletividade. Pois, na potência do amor, há lugar para a multiplicidade das suas manifestações e especificidade em cada uma delas. Como fachos de luz quando cruzam, as múltiplas manifestações do amor se tornam sinérgicas. O amor ao próximo não impede a vivência do amor conjugal, o amor a família não exclui o amor pátrio ou à humanidade, ou à natureza.
Somente a nossa inconsciência em relação ao fluir da vida em evolução e nossa gênese amorosa no seio de Deus, nos faz tão limitados na expressão do amor. Tornamo-nos carentes por desconhecimento do que somos. E engendramos o desejo de querer ser amado e a dependência afetiva do outro; e queremos a graça de existir através do outro ao invés de festejarmos a graça do encontro.
O amor que sentimos pode ser tão incipiente que estaremos ego-carentes. Se o ampliarmos, viveremos momentos transitórios de completude. Se evoluirmos mais em sua manifestação, sentiremos crescente amplitude do ser. Se desvelarmos para nós próprios nossa condição de imitadores do Supremo Amor, saberemos por vivência o que é plenitude.
E, na plenitude, a integração é de tal ordem que todos os “eus” se coordenam, mantendo cada um a sua inteireza, e fazem aparecer algo maior do que a sua simples soma: o cosmos na fase amor-plenitude, imanência divina desvelada completamente.
Da relação amorosa captativa e exploradora do outro, ao amor possessivo, e deste ao amor interessado, e, mais além, ao amor desinteressado, até atingirmos a consciência ágape ou ser-amor, há um percurso que será mais ou menos longo ou demorado, a depender da nossa decisão e vontade de enfrentarmos o desafio evangélico de amar ao próximo e aos inimigos como o Mestre Jesus exemplificou.
André Luiz Peixinho
Diretor Presidente da Federação Espírita do Estado da Bahia |
.............................................................Desafios cristãos – II
O segundo desafio cristão é um completo desvelar-se. Tomar consciência de si mesmo e da nossa verdadeira natureza. Um fenômeno transformador da auto-percepção e manifestador de potencialidades latentes e praticamente desconhecidas que jazem inermes na dimensão daquilo que realmente se constitui como o ser essencial.
Este desafio está configurado pelas inúmeras assertivas de Jesus sobre o que somos e o que podemos expressar no mundo.
Dos seus lábios, escutaram: está escrito – vós sois deuses. Uma clara afirmação sobre a nossa participação na imanência divina, estando implícita a transitoriedade da condição limitada de criatura humana. A condição de deuses nos permite vislumbrar o Absoluto, o Perfeito, o Eterno, e dele participar.
Também se ouviu o seu verbo afirmar: sede perfeitos como perfeito é o Pai Celestial. Assim, Ele fixou o desiderato da vida humana, a possibilidade a ser expressa. Entendemos que se trata de uma norma relativa ao contingente mundo das formas mundo, pois, em essência, já somos a perfeição, ainda que imanifesta.
Não há, portanto, porque nos restringirmos às vivências do trivial, transitórias, todas elas voltadas para as querelas do tempo e do espaço, sempre ameaçados pelas perdas e pela morte.
Nossa natureza original é transcendente a tudo isso, pois a perfeição como Deus é, mesmo em seres criados, está marcada pelo selo da perenidade, da capacidade de perceber além das formas efêmeras e de auto-identificar-se com a condição de imortalidade e experiência de plenitude.
E sobre a atuação no mundo, Jesus enunciou que a fé do tamanho de um grão de mostarda, passível de ser desvelada em nossa experiência de discípulo, nos levará a operar como ele o fazia e mais ainda, se assim o desejássemos. Ora, seu operar milagroso, aparentemente subvertendo a ordem das coisas e as leis dos fenômenos conhecidos, é uma revelação de dimensões inusitadas com surpreendentes possibilidades fenomênicas, somente encaradas como derrogação de ordem por causa da ignorância de uma mais profunda regulação cósmica. Nosso potencial de fé, conforme Ele revelou, é capaz de todos os chamados milagres. Das curas, às conversões. Dos atos de multiplicação de pães e peixes, à transfiguração esplendorosa. Da entrega do corpo ao martírio, ao ressurgimento para os que compartilhavam algo de sua lição.
Mas, o principal milagre é a percepção de si mesmo como criação divina, normalmente impensável para mentes que se julgam pequenas demais para abarcar tão alentadora proposta.
Em frase marcada pela fé em nosso potencial, Ele definiu nosso papel na história: vós sois o sal da terra e a luz do mundo. E acrescentou, em linguagem complementar, que somos responsáveis pela evolução da civilização. Ordenou também que fizéssemos brilhar a nossa luz diante dos homens para a glorificação de Deus. Não deveríamos nos esconder diante da vida e suas demandas, mas, enquanto estivéssemos no mundo, sermos os súditos de um novo reino: o dos céus.
E numa demonstração inequívoca de como poderemos vir a ser na experiência cotidiana, nos conclamou, no Sermão da Montanha, a vivermos em bem-aventurança, tão grandiosamente, que nos acenou com a percepção de Deus em decorrência da pureza de coração.
Este desafio cristão, na atualidade, está a exigir um movimento especial de centração para aprofundar o conhecimento de si mesmo além das camadas periféricas do ego, e mesmo atravessar as fronteiras, muitas vezes temidas, do inconsciente pessoal e coletivo.
É preciso realizar a viagem de si a si mesmo, até o abscôndito recanto onde Deus está pleno em nós.
E nela exercitaremos a prática de uma sucessão de atos de independência
dos conceitos, que nos limitam como férreas prisões, e de emoções que nos aprisionam no tempo, presídio sutil das ansiedades e mágoas, do ontem e do amanhã. Desenvolveremos a autonomia em relação a valores tomados como absolutos, quando são meras relativizações de uma consciência em expansão.
Aprenderemos a nos libertar de pensamentos conformados pela história adotados como verdades atemporais, de memórias ancestrais que nos conformam à roda dos nascimentos; de fragmentações da percepção que nos fazem ora racionais, ora sentimentais.
E participaremos da sociedade como co-autores do seu progresso, blindados em relação às suas influências desarmônicas e aos seus estímulos, para continuarmos humanos, simplesmente humanos.
E este conjunto de experiências práticas se chama auto-educação, no sentido mais profundo da expressão. Colocar a vontade no sentido de eduzir, “des-envolver”, retirar o véu, que nos impede ainda de construir a inversão da hegemonia da consciência do como estamos – humanidade – para a primazia do que somos – criação divina.
Como o filho pródigo, precisamos retornar à casa paterna onde nos aguarda o acolhimento festivo e a fartura de messes.
O reino da felicidade sempre esteve disponível para todos com a condição de que manifestássemos o que realmente somos.
André Luiz Peixinho |
............................................................Desafios cristãos III
O conhecimento de si mesmo e a integração com o outro nos coloca senhores do mundo da criação. A essência do ser humano estará desvelada. Mas, não esgota os desafios cristãos. Resta, ainda, a possibilidade de entrarmos no domínio do além da criação. Mesmo quando nos reconhecermos partículas de Deus, ainda há algo que transcende este saber. A unificação em Deus.
Esta experiência é o clímax da vivência evangélica. Conforme Jesus, é possível a união entre o criador e a criatura. Daí decorrem suas expressões: Eu e o Pai somos um. Quem conhece o Filho, também conhece o Pai.
Fenômeno místico por excelência, esta percepção una está, no curso da evolução do ser, além de toda atitude de adoração, mesmo aquelas mais sutis.
Assim realizamos um terceiro movimento: a supercentração. Ele nos conduzirá além do que somos.
Este gigante desafio, entretanto, é precedido de passos evolutivos mais fáceis, por serem mais simples e estarem próximos da nossa consciência atual, resumidos na conduta expressa ao vivermos a lei da adoração.
Estas condutas refletem o estágio de proximidade ou distanciamento da unidade fundamental descrita.
Quanto mais centrada na matéria for a nossa existência, mais viveremos despercebidos da presença divina e a buscaremos na exterioridade das coisas, nas convenções sociais e nas normas dos cultos, pois este é o único mundo que captamos como realidade. Nesta condição, a busca do divino só pode ocorrer nos templos, através de rituais disciplinadores propostos por autoridades que intermediam nosso impulso de transcendência.
Assim nos ensina o encontro de Jesus com a mulher samaritana, que sabiamente indagou-lhe onde deveria adorar a Deus e contrapôs a montanha de sua região ao templo de Jerusalém. Ouviu como resposta algo mais elevado: adorar a Deus em espírito e verdade, o que equivale dizer em nenhum lugar e em todos, além de qualquer forma e através de todas elas.
A importância da forma é proporcional ao primitivismo da consciência. Quem avança na evolução, progressivamente percebe Deus por toda a parte, mesmo nos eventos banais do cotidiano. A sua Lei a tudo impregna e ordena, mesmo nos baixos níveis da evolução.
O porvir encontrará a humanidade vivendo sua dimensão religiosa como um ato íntimo de convicção amorosa, nascida da percepção mais acurada do sentido espiritual ainda em formação. A prece, anelo da alma que instintivamente anseia por encontrar Deus, hoje dominantemente grito de invocação por socorro frente aos perigos materiais expressa em rituais exteriores, se transmudará no cântico da gratidão e celebração da vida, após a aceitação da vontade de Deus e a entrega ao vigor da Lei.
Aos poucos, perceberemos que a palavra Deus nos fala do incomensurável. Ela tenta fazer a síntese do inexprimível. E nos conduz apenas aos portais do mistério do Absoluto. Superando a noção do sagrado restrita aos templos, adentramos embevecidos no templo da Natureza, “no espetáculo dos mundos a percorrer o Infinito, nos esplendores da vida que se expande em suas superfícies... à luz brilhante do dia ou sob o manto constelado da noite as vozes da Natureza” falarão de Deus a quem souber se recolher para escutar os seus mistérios, assegura Leon Denis.
Mais além, na evolução da busca de Deus, a prece torna-se um turbilhão que arrebata, sublimando toda a potência da inteligência e do pensamento até fazer-se êxtase. E o pequeno ego anseia dilatar-se e fundir-se no infinito consciente cósmico.
Embriagados pelo êxtase, traduzimos poeticamente Deus, como nascedouro do rio das idéias e oceano do pensamento, criador de todas as forças, origem de todas as verdades, recôndito eu do universo, onipresença invisível, vida de toda a vida, espírito de todo espírito, alma do Todo, fonte do eterno, do imutável, do infinito.
Ainda que todos os vocábulos pertinentes fossem usados, a vivência do êxtase não encontraria tradução adequada, pois as palavras enquadram a experiência no leito de Procusto dos conceitos, dos limites, das formas. E de Deus, afirma-se, nada se pode pronunciar sem incorrer em equívoco. Assim o silêncio no finito torna-se condição para apreensão do Infinito, e a quietude no relativo prepara o advento da entrada no Absoluto.
Avizinhar-se de Deus, por mais gloriosa, vasta e profunda que seja a experiência, ainda não esgota a possibilidade deste desafio. Para as almas que se candidatam a condição de plenitude, ainda resta o grande salto que nos conduzirá à verdadeira união com Deus. Aninhar-se no seu seio, ou melhor, descobrir-se consciente desta unidade fundamental, eterna, permanente, porém esquecida.
Assim, o máximo ideal cristão se completará na experiência do espírito. E por ser tal desafio de tão alto quilate, é que o Evangelho ainda continuará por muito tempo a espera dos desbravadores da espiritualidade, que em si mesmos farão os experimentos necessários para se tornarem almas hipersensíveis à presença de Deus, realizando a implantação do reino dos céus em todas as latitudes e longitudes da Terra.
André Luiz Peixinho
Diretor Presidente da Federação Espírita do Estado da Bahia
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